domingo, 14 de outubro de 2012

Porque você não veio.



Sentei para fumar um cigarro em frente à Montanha Oeste, logo após ela vestir seu pijama de sombras..
Sentei assim que eles se foram, tragando as despedidas que me faziam imaginar você e eu ali, fumando dois cigarros, enquanto a montanha sonolenta vigia nosso silêncio...
A brasa solitária esperou o fumo chegar ao fim e as últimas faíscas brilhantes adormecerem na sola do meu sapato; as despedias me fizeram ver que você poderia ter se despedido de mim,
e eu poderia ter te oferecido um pedaço de bolo quente, mas não... não me despedi.

Porque você não veio.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Eu tenho as minhas idéias.

Todo dia é dia para descobrir que você foi um grande idiota.
E toda madrugada sabe ser simpática!

E a gente passa o dia deliberando pelo menos uma porção de vezes sobre uma porção de coisas elevadas ao quadrado...
Nunca vi uma listinha com jeitos diferentes de morrer...

.
Eu tenho as minhas idéias.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

outro ninguém.


Hoje talvez o nariz sangre, porque o mundo está seco demais.
Talvez eu deite à minha frente e inale meu próprio cansaço, pois estar cansada é só mais um pretexto pra 'deitar'...
Hoje talvez eu pulse debaixo da lua e espalhe o seu vestido de pó branco,
pra assistir aos cabelos que pegaram fogo quando os pensamentos em atrito
correram frenéticos...
e correram de mim...
e correram pra ninguém.
E se eu grito?
São os livros de poesia abertos sobre a mesa, vomitando veneno sem gosto.
E se eu ando na velocidade oposta?
São os minutos que se negam a adormecer, costurados a outras tantas noites feitas para não dormir...
...e vou me afastando de tudo, 
inflada com tanto e tanto vazio...
...dos segredos que guardo quando como papel...
e me escondo dentro de mim.
Querendo a negação da minha própria tese,
e sendo outro ninguém.

A dor na cabeça já faz parte do corpo e o corpo perdeu seu botão de 'off'...

Certa ou errada?
Só definhando...
Enquanto minha carne engorda na sombra do que eu poderia ter escolhido ser.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Lua de prata

Ela chegou molhada de prata.
Nem queijo, nem mel;
Prata.
Espreguiçou-se pelo lençol róseo, queimado de azul incandescente nas beiradas.
Então, sorriu.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fandangos

Ao sentar na escada e ajeitar a boina, molhei os dedos no cabelo de final de dia. A lua sorriu.
Os solitários são realmente tristes, quando é a depressão que os leva a sentar na escadaria central do supermercado 24 horas para observar os movimentos mundanos desperdiçados por não haver quem sente na escada e os rumine?
O que me dizem dos felizes que gastam sorrisos pelo impulso da suposta boa educação sussurrada por uma moral falida?
Eles estão ocupados com suas felicidades e não sentam em escadas... E não vêem o mundo passar...
As mulheres com seus filhos escolhendo agasalhos na caixa de doação são ignorados, como as crianças roubando Fandangos ou a atendente atenciosa. As larvas na folha do hortelã mal lavado para o chá e o sol que brincou de escorrer em rosas pelas beiradas de um céu que existe à toa também não é coisa de gente feliz notar.
Será que a 'depressão' realmente se alia a solidão e nos isola do mundo?
Ou confundiram os nomes no dicionário que dita a vida e solidão é apenas uma forma de conexão, enquanto estar deprimido nada mais é do que estar sensível à vida.

Ontem alguém me perguntou se eu gosto de ficar sozinha.
Eu gosto.
Quando posso escolher estar.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Outro final.


Um parto. Uma ruptura. Um nunca que não se conhece até a morte do sempre.

O silêncio que fala, que grita!.
A dor física de causa emocional.
Uma última página virada.
Outro final.
...

O nunca mais, que desliza pelas composições léxicas corriqueiras...
E os muitos termos que escorrem de lábios desconexos dos reais significados no ato de falar.
Os tantos e os tantos fazem vomitados pela necessidade do homem de emitir sons, vocalizar.

.O que realmente queremos dizer?

.O que diríamos antes da última chance de tocar ao outro como o dom da comunicação?

Vulgar... Desperdiçada.

Morreríamos sem saber.
Morremos.
E nunca falamos.
















domingo, 27 de maio de 2012

Uma desconexão dicotômica

Os vejo rodopiar sobre meu dia quando deveriam sujeitar-se aos meus compromissos,
quando deveria ser eu a escorregar sobre os dois,
que desnorteiam meus labirintos,
guardados no bolso do corpo, regendo a labirintite incoerente de quem se permite à neurose de arrumar seus espaços físicos,
desarrumando a mente, gavetas mentais...
Sabedorias maternas à parte, fujo à regra da organização dos pensamentos ao organizar as tantas coisas e coisas que nós homens somos capazes de armazenar temporariamente (possuir?) ...
Fujo às regras mãe, mamãe, me perdoe por isso também (ao menos meu quarto está sempre impecável).

Brindo à lucidez,
à insobriedade...
Brindo minhas decisões sem parâmetros que logo serão substituídas pelo seu oposto,
brindo às emoções e à liberdade do nexo que já havia abandonado o cargo de conduzir nosso mundo,
que perdeu seu sentido existencial ao começar verdadeiramente a existir.
(nexo?)
Brindo aos olhos daquele cara à caráter de seus papeis sociais,
quando ele fala que é um alienado feliz, assiste tv, vomita nas entrelinhas, sente saudades de seu relógio de bolso,
e me atira pelas janelas azuis...
Brindo ao brinde dele que foi juiz no altar da minha paixão pelo surrealismo filosófico,
que me apunhala com os sorrisos de quem não confessou os segredos do conjugue sedento pelo "sim, aceito"...

É... Entornei o copo raso do elixir de minha bílis mental, ácida e tão doce,
quando percebi que nada no mundo faz sentido além dos manuais de filosofia para destruir toda a cultura animal...
Me embriaguei ao ver que os padrões de normalidade obedecem aos interesses do sistema econômico. (humano?)
E escolhi estar narcotizada ao lado dos sãos, porque a sanidade é subjetiva.
Comigo?
Apenas minha mente (as vias de comunicação virtuais mortas),
conectada a um papel que não toco, na tela do computador que decidi me conectar em busca de desconexão.
O sentido das palavras assume significados relativos às tantas ideologias que vem ditando as cores das paisagens captadas pelos sensores atrofiados...
Eu?
Num gozo que permite a comunicação da minha mente nesse monólogo.
Eu?
Cansada de boiar nos meus conflitos particulares,
afogar o super-homem nas minhas lágrimas e vê-lo do portão levando um pouco da angústia que era minha.

Sou menina,
menina do mundo.
Sou a mente querendo ser balão e voar livre do envólucro de carne integrado aos passos de uma sociedade falida com a qual não quero dançar...
Mas qual será meu fim (além de sozinha)?
Seguirei Zaratustra...
Ou chegará o dia em que aceitarei o uniforme e assinarei contrato?
Par ser também uma alienada (só não prometo feliz).


Não dispenso mais sorrisos às manhãs, é verdade.
A luz que escapa entre os dentes se apagou e minha janela está fechada...
Mas mesmo andando no escuro, prometo chego até os vinte e sete anos para lembrar do que me disse.